5 de fevereiro de 2011
MinC: a parte que nos cabe desse latifúndio.*
No governo Lula, o ministério da cultura (MinC) ocupou uma posição central. Com os ministros Gilberto Gil (2003-08) e Juca Ferreira (2009-10), contribuiu incisivamente para o aprofundamento da democracia do país. Com políticas públicas inovadoras, não governou apenas para uns, mas para todos os cidadãos, ampliando o escopo da indústria e da "classe artística" para o vasto espectro de trabalhadores culturais do Brasil, em todas as regiões, até os rincões mais afastados. Nos últimos oito anos, a cultura deixou de ser assunto secundário, acessório, "perfurmaria", para se instalar no cerne de um projeto global de democracia, que produz renda no processo mesmo em que a dissemina.
O coração programático do MinC foram os Pontos de Cultura. Hoje, já são cerca de 4.000 pontos em mais de 1.100 municípios. Cada Ponto recebe R$ 180 mil, em parcelas semestrais, para remunerar as pessoas, comprar equipamento, divulgar a arte e a cultura.
O investimento gira na ordem das centenas de milhões de reais e contempla diversos âmbitos: audiovisual, música, literatura, grafite, circo, teatro, dança etc. Num processo dinâmico, a partir dos Pontos, coordenam-se as demais ações do Programa Nacional de Cultura (Cultura Viva), tais como a Cultura Digital (redes na internet, software livre, multimídia etc) e vários editais públicos de fomento.
Pela primeira vez, o foco do MinC passou a ser quem genuinamente precisa de incentivo. Os Pontos atendem principalmente à população de baixa renda, nas periferias das metrópoles e no interior pobre. Assiste minorias indígenas e quilombolas, o artista e o produtor iniciantes, os midialivristas e jornalistas-internautas. Alcança também os pesquisadores e formuladores político-culturais, nas universidades e institutos. Num cenário cultural dominado pela grande indústria de entretenimento, os Pontos qualificam socialmente o investimento cultural.
Tome-se o exemplo do cinema. As majors, grandes produtoras e distribuidoras norte-americanas, abocanham quase 90% dos lucros, graças a duas dezenas de blockbusters anuais. Dos outros 10%, a Globo Filmes --- que também é grande indústria --- engole a maior fatia, com suas produções de linguagem televisiva.
Enquanto isso, segundo o relatório Cultura em Números (MinC, 2010), somente 8% dos municípios brasileiros têm salas de cinema, e risíveis 13% dos cidadãos costumam freqüentá-las. Produções pequenas e novas, fora do cinemão (americano ou "global"), dificilmente ultrapassam um ou dois mil espectadores. Isso quando tem a rara felicidade de chegar ao circuito comercial (em poucas salas). Além disso, as grandes linhas de crédito não se abrem à cauda longa de pequenos produtores, ficando justamente com quem já dispõe de bons dividendos.
Os Pontos de Cultura deslizam dessa lógica verticalizada e desigual. Abrem a arte e cultura para um estamento até então segregado dos meios de produção e difusão. Se a indústria cultural tem dono e divide os lucros entre acionistas, empresários e (quando muito) um punhado de medalhões, os Pontos remuneram direta ou indiretamente 8,4 milhões de pessoas (dados do IPEA).
A vida cultural não se faz somente com grandes produtoras, empresários empreendedores e artistas consolidados. Este grupo não responde sequer por 1% do universo de trabalhadores da cultura. Refiro-me aos inúmeros técnicos, fotógrafos, maquiadores, roteiristas, blogueiros, designers, músicos, dançarinos, assistentes, montadores, sonoplastas, atores e tantos outros que (sobre)vivem de bicos e contratos temporários. Não recebem um tostão em direitos autorais e são obrigados a se submeter a um regime exploratório e injusto de remuneração, como subempregados das majors. Quantos jovens talentos não abandonam a atividade por falta de renda e condição humilhante?
Esse precariado produtivo só começou a ser efetivamente contemplado no governo Lula, graças principalmente aos Pontos e editais transversais (democráticos) da Cultura Viva.
Além da renda, há outros fatores importantes. Os Pontos abraçam uma organização política não-hierárquica e colaborativa. Funcionam em rede, na base da articulação, da remixagem, do mash-up. O jovem produtor não tem que se submeter a empregos ou subempregos. Ele é livre, autônomo, constituinte de sua produtividade.
Mas o sistema não é anárquico. Para coordenar (e não comandar) a rede, foram implantados mais de 100 Pontões. Atuam como rótulas do sistema e são granjeados com infraestrutura mais robusta e repasse mais generoso (R$ 500 mil cada). Os nós equipotenciais reúnem-se em fóruns, teias (encontros) e numa Comissão Nacional. Vibram em conjunto, difundindo a produção horizontalmente e retroalimentando a cadeia criativa.
Na sociedade pós-industrial, a circulação por si só agrega valor aos conteúdos. Quanto mais "viral" a produção, mais interage, captura a atenção e constitui públicos. Tudo isso valoriza o processo mesmo da comunicação. Com efeito, a cultura livre se dá na partilha de mundos, onde cada um pode afirmar seus sentidos, desejos, modos de olhar e sentir. E não no esquema monológico da indústria nacional. A esquerda hoje é pelo compartilhamento, enquanto a direita quer tirar da circulação, botar preço, vedar, criminalizar.
Os Pontos e as políticas associadas não consistem, portanto, tão somente em modo de remunerar a "massa" de precários da cultura, como técnica de governo. Mas sobretudo empoderar o cidadão e concitar um ciclo microeconômico com valor democrático. Reconhecer que todos podemos gerar e divulgar conteúdo, que podemos participar ativamente da democracia como sujeitos, como elos da vida cultural, como mídia.
Está em jogo uma concepção de cultura muito além do entretenimento ou do negócio, como na visão da indústria --- nacional ou estrangeira. No século 21, cultura e conhecimento situam-se no cerne da produção de valor. E implicam a cidadania: o produtor cultural é imediatamente sujeito político.
Por tudo isso, o sociólogo Giuseppe Cocco, da UFRJ, em artigo a jornal paulista, pôde concluir que "o Bolsa Família é a maior política cultural do governo Lula, e os Pontos de Cultura são a melhor distribuição de renda deste governo."
Quer dizer, assim como o programa Bolsa Família excita microeconomicamente as regiões contempladas, e gera excedentes para o acesso a bens culturais; os Pontos remuneram os trabalhadores e potencializam a produção de valores, sentidos, afetos... de riqueza --- o que, no pós-industrial, tem automaticamente efeito econômico. Daí, o intelectual ítalo-brasileiro defende a integração do Bolsa Família aos Pontos de Cultura, pois juntos acionam todo um círculo virtuoso de renda, cidadania e liberdade.
Isto posto, preocupam as primeiras movimentações da ministra Ana de Hollanda e de sua equipe. Decerto, uma tentativa de desmantelar as realizações do governo Lula, com Gil e Juca, seria a mais deslavada traição do voto. A eleição de Dilma significou a vitória do projeto de continuação e aprofundamento do governo anterior. Ao que parece, conquanto não haja sinais de ruptura frontal, o "acerto de contas" com a ousadia lulista pode ocorrer de maneira mais discreta e traiçoeira.
Duas expressões estão em voga na boca do ministério: "economia criativa" e "indústrias criativas". Já divulgada na grande imprensa, a idéia da economia criativa se institucionaliza com uma nova secretaria. A bem da verdade, parece uma iniciativa oportuna, que reconhece o caráter imaterial da new economy, da dita "economia da cultura e do conhecimento".
Assim, em vez de preocupar-se apenas com a venda de CD, livros e filmes, a economia criativa engloba outras atividades: a moda, o marketing, a gastronomia, o videogame, a cosmética etc. Explode o esquema "duro" de arte-de-artista, como alfa e ômega da cultura, e abarca a constituição de mundos: afetos, valores, modos de sentir.
Até aí tudo bem. Preocupa o que pode vir junto no pacote da economia criativa. Qual o sentido que será conferido a esse discurso aparentemente interessante. Para isso, valem analisar declarações da nova equipe e estudos-chave desse programa (como o e-book Economia Criativa como Estratégia de Desenvolvimento).
O primeiro problema pode surgir com o discurso técnico de otimização e eficiência. Essa linha argumentativa pode ser manejada (e já está sendo), para subtilmente atribuir aos Pontos de Cultura a pecha de desorganizado, precário, "ingênuo". Isso significaria a retração de editais e redes colaborativas, em proveito do mais "organizado" esquemão, o empreendedorismo "sustentável" da indústria cultural e dos players dominantes do mercado. O velho conto do vigário: por razões tecnocráticas, muda-se uma política de esquerda.
O segundo problema surge na forma como as indústrias criativas serão viabilizadas. Porque "sustentabilidade" nem sempre significa democracia. O social (os Pontos?) não pode matar a cultura, porque a cultura é social em primeiro lugar (diverso o pensamento de uma das secretárias do MinC). Por exemplo, a Globo Filmes está perfeitamente sustentável, mas mantém a lógica concentrada, hierárquica, vertical, monotônica (televisiva). O MinC, um órgão público, promotor da justiça social e da democracia cultural, não pode servir para apascentar ainda mais as poucas e grandes empresas do setor. Com muito menos razão, num governo de esquerda, com seu devir anti-histórico. Se, de alguma forma, a economia criativa privilegiar o modelo velho, onde o cidadão é só consumidor e o grosso da renda vai para as majors, se torna golpe camuflado de desenvolvimento.
O terceiro problema reside num nacionalismo mal-disfarçado e totalmente anacrônico (do tipo que a Microsoft ama). Quando se fala em indústrias criativas, há o risco disso traduzir indústria criativa... nacional, numa reedição obsoleta de nacional-desenvolvimentismo (progresso e soberania prioridades, democracia e justiça efeitos). Isto significa, mais uma vez, a idéia de cultura como parque formal de geração de empregos brasileiros e valores brasileiros. Volta-se à passeata contra a guitarra elétrica de 1967.
O caso não é se proteger da cultura americana ou européia. É pegar tudo, não pagar nada, usar à vontade e remixar. Eis a antropofagia. A história da agitação cultural brasileira do século 20, --- desde os modernistas nas décadas de 1920 e 1930, e dos tropicalistas em 1960 (tendo Gilberto Gil como expoente), --- foi a luta simultânea contra nacionalistas-integralistas e colonizados-modernizantes. Foi sair pela tangente desse falso problema.
Porque o problema não está em ser estrangeiro, mas em ser indústria, no trabalho explorado e na desigualdade social. Paramount ou Globo Filmes são igualmente expropriantes, antidemocráticas e monopolistas. Enquanto um filme independente de Seattle ou um CD gravado pelos índios sioux da América do Norte podem vibrar produtivamente com as redes daqui.
Em suma, os Pontos de Cultura foram tão transformadores, --- e tão sintonizados na verve democrática no governo Lula, --- por começar uma ruptura com a divisão técnica e social do trabalho cultural, com a concentração de renda em empresas monopolistas, com o viés mercadológico e privatista do investimento público, descolado das demandas sociais e políticas. Se a economia criativa e o novo MinC que a propugna vierem para sabotar as mudanças, será uma guinada menos do que conservadora. Será ardilosamente reacionária.
Portanto, ao movimento compete articular-se para que não aconteça. Lutar desde já pelos direitos constituídos em conjunto, ao longo de oito vibrantes anos, com Lula, Gil e Juca. Cabe-nos, cidadãos mobilizados política e culturalmente, recusar a parte que nos cabe desse latifúndio.
*Texto postado no blog "Quadrado dos loucos", de Bruno Cava.
Fonte: http://quadradodosloucos.blogspot.com/2011/02/minc-parte-que-nos-cabe-desse.html
quinta-feira, 3 de março de 2011
domingo, 13 de fevereiro de 2011
ARTE DE FATO
Vivência e produção artística são ingredientes que não podem faltar na fórmula de trabalho do EMCANTAR. Além disso, acreditar no potencial de cada um e no poder da coletividade são os segredos do trabalho tanto do grupo artístico quanto dos projetos de formação desenvolvidos com crianças e adultos. Depois, é só bater tudo isso no liquidificador, juntamente com alegria, brincadeira e muita imaginação para virar ARTE DE FATO...
Giravento*
Letra: alunos da 3ª série da E.M. Professor Eurico Silva (de Uberlândia, MG) no ano de 2008
Música: Carlim Ribeiro
Uma ventoinha
De papel ou de madeira
Quase todo mundo tem
Vira e gira o catavento
Pode ser de brinquedo
Ou de verdade
Que ele vai te avisar
Pra onde o vento está
E para onde vai
Coloca ao vento pra rodar
O vento sopra a ventoinha
No horário ou anti-horário
Roda pra lá, roda pra cá
As cores se movem
Azul com branco
Branco com vermelho
Vermelho e branco
Tudo se mistura
E movimento o ar
Mistura e movimenta ao ar
* Essa canção compõe o CD ARTE DE FATO.
Obra idealizada e produzida pelo EMCANTAR como resultado das oficinas com alunos do Projeto Educando.
Em um processo de vivência e criação artísticas, as crianças de algumas escolas públicas de Uberlândia, entre os anos de 2006 a 2008, formam convidadas a brincar de criar... e produziram 13 letras, para as quais os músicos do EMCANTAR fizeram as melodias. O final do processo foi gravar as músicas com as crianças, que passaram a ser compositoras e intérpretes, e, finalmente, puderam levar pra casa esse CD, do qual foram protagonistas... dizendo ao mundo como é o mundo pelos olhos da infância!
Para saber mais: www.emcantar.org / contato@emcantar.org
Giravento*
Letra: alunos da 3ª série da E.M. Professor Eurico Silva (de Uberlândia, MG) no ano de 2008
Música: Carlim Ribeiro
Uma ventoinha
De papel ou de madeira
Quase todo mundo tem
Vira e gira o catavento
Pode ser de brinquedo
Ou de verdade
Que ele vai te avisar
Pra onde o vento está
E para onde vai
Coloca ao vento pra rodar
O vento sopra a ventoinha
No horário ou anti-horário
Roda pra lá, roda pra cá
As cores se movem
Azul com branco
Branco com vermelho
Vermelho e branco
Tudo se mistura
E movimento o ar
Mistura e movimenta ao ar
* Essa canção compõe o CD ARTE DE FATO.
Obra idealizada e produzida pelo EMCANTAR como resultado das oficinas com alunos do Projeto Educando.
Em um processo de vivência e criação artísticas, as crianças de algumas escolas públicas de Uberlândia, entre os anos de 2006 a 2008, formam convidadas a brincar de criar... e produziram 13 letras, para as quais os músicos do EMCANTAR fizeram as melodias. O final do processo foi gravar as músicas com as crianças, que passaram a ser compositoras e intérpretes, e, finalmente, puderam levar pra casa esse CD, do qual foram protagonistas... dizendo ao mundo como é o mundo pelos olhos da infância!
Para saber mais: www.emcantar.org / contato@emcantar.org
quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011
Espalhando fantasia... Coleção Itaú de Livros Infantis
Por meio de uma amiga e companheira de trabalho fiquei sabendo dessa nobre iniciativa da Fundação Itaú Social em favor da literatura e da infância.
O Banco Itaú está distribuindo 8 milhões de livros infantis gratuitamente.
Basta preencher o cadastro através do site: http://www.lerfazcrescer.com.br
Os livros chegam sem qualquer custo em suas casas. O único compromisso é o de ler e reler para uma criança os livros e, depois disso, repassá-los para que outros possam fazer o mesmo.
Fiz o cadastro e então tive a alegria de receber em minha casa 04 pequenos livros.
Depois de me deliciar com a leitura deles passo a colaborar com a proposta da Fundação Itaú de disseminar a literatura infantojuvenil, promovendo o acesso de adultos (sejam educadores por profissão ou não) e crianças a essa linguagem artística tão repleta de fantasia.
São 02 livros de contos infantis: Lobisomem e Os Três Porquinhos; 01 recheado de versos da tradição oral: O Jogo da Parlenda, de Heloisa Prieto; e 01 com vários poemas, de Lalau e Laurabeatriz: Bem-te-vi e outros poemas.
Os contos, presentes em nosso imaginário popular, e contados de uma forma peculiar, ajudam a preservar as histórias infantis e a tão importante fabulação, que, na infância, se mistura com a própria realidade. Com linguagem simples e rico em ilustrações, são "materiais" de cabeceira de qualquer criança - grande ou pequena.
O livro das parlendas é uma divertida brincadeira com as palavras. Os jogos, também presentes em nossa tradição oral, estimulam as crianças a adentrar no universo da palavra... mexendo, recortando, inventado e até pregando peças, além de valorizar nosso patrimônio imaterial.
E o livro de poemas é uma pitada de doçura em nossas vidas. Segundo informações encontradas no final do livro, o autor e a ilustradora "adoram fazer litertura infatil porque, através dos livros, as crianças podem conhecer coisas novas, estimular sonhos, enriquecer o espírito e dar à vida um sentido mais amplo e sedutor. Ler é um momento mágico. E essa emoção deve durar para sempre."
Para dar água n'alma:
Quando
Uma palavrinha
Encontra
Uma irmãzinha
Ou uma prima,
Isso se chama
Rima.
Eclipse
Onde?
Onde?
Onde?
Olha lá
A lua
Brincando
De esconde-esconde.
Acredito que para termos um mundo mais fácil de se amar, com pessoas sensíveis ao outro e ao mundo, cada um de nós deve ser responsável por ajudar nessa re-humanização, distribuindo arte e alegria por toda parte. AVANTE!
O Banco Itaú está distribuindo 8 milhões de livros infantis gratuitamente.
Basta preencher o cadastro através do site: http://www.lerfazcrescer.com.br
Os livros chegam sem qualquer custo em suas casas. O único compromisso é o de ler e reler para uma criança os livros e, depois disso, repassá-los para que outros possam fazer o mesmo.
Fiz o cadastro e então tive a alegria de receber em minha casa 04 pequenos livros.
Depois de me deliciar com a leitura deles passo a colaborar com a proposta da Fundação Itaú de disseminar a literatura infantojuvenil, promovendo o acesso de adultos (sejam educadores por profissão ou não) e crianças a essa linguagem artística tão repleta de fantasia.
São 02 livros de contos infantis: Lobisomem e Os Três Porquinhos; 01 recheado de versos da tradição oral: O Jogo da Parlenda, de Heloisa Prieto; e 01 com vários poemas, de Lalau e Laurabeatriz: Bem-te-vi e outros poemas.
Os contos, presentes em nosso imaginário popular, e contados de uma forma peculiar, ajudam a preservar as histórias infantis e a tão importante fabulação, que, na infância, se mistura com a própria realidade. Com linguagem simples e rico em ilustrações, são "materiais" de cabeceira de qualquer criança - grande ou pequena.
O livro das parlendas é uma divertida brincadeira com as palavras. Os jogos, também presentes em nossa tradição oral, estimulam as crianças a adentrar no universo da palavra... mexendo, recortando, inventado e até pregando peças, além de valorizar nosso patrimônio imaterial.
E o livro de poemas é uma pitada de doçura em nossas vidas. Segundo informações encontradas no final do livro, o autor e a ilustradora "adoram fazer litertura infatil porque, através dos livros, as crianças podem conhecer coisas novas, estimular sonhos, enriquecer o espírito e dar à vida um sentido mais amplo e sedutor. Ler é um momento mágico. E essa emoção deve durar para sempre."
Para dar água n'alma:
Quando
Uma palavrinha
Encontra
Uma irmãzinha
Ou uma prima,
Isso se chama
Rima.
Eclipse
Onde?
Onde?
Onde?
Olha lá
A lua
Brincando
De esconde-esconde.
Acredito que para termos um mundo mais fácil de se amar, com pessoas sensíveis ao outro e ao mundo, cada um de nós deve ser responsável por ajudar nessa re-humanização, distribuindo arte e alegria por toda parte. AVANTE!
UMA PAUSA
Hoje eu iria postar comentários sobre um projeto super interessante de disseminação de obras infanto-juvenis com vistas à formação de leitores, mas preciso fazer uma pausa.
Recebi o texto abaixo por e-mail e não posso deixar de publicar aqui.
É de Luíz Fernando Veríssimo, um escritor que admiro muito, sobre o lamentável reality show da Rede Globo de Televisão.
Para reflexão!
BIG BROTHER BRASIL
Luiz FernandoVeríssimo
Que me perdoem os ávidos telespectadores do Big Brother Brasil (BBB), produzido e organizado pela nossa distinta Rede Globo, mas conseguimos chegar ao fundo do poço...A décima primeira (está indo longe!) edição do BBB é uma síntese do que há de pior na TV brasileira. Chega a ser difícil,... encontrar as palavras adequadas para qualificar tamanho atentado à nossa modesta inteligência.
Dizem que em Roma, um dos maiores impérios que o mundo conheceu, teve seu fim marcado pela depravação dos valores morais do seu povo, principalmente pela banalização do sexo. O BBB é a pura e suprema banalização do sexo. Impossível assistir, ver este programa ao lado dos filhos.
Gays, lésbicas, heteros... todos, na mesma casa, a casa dos “heróis”, como são chamados por Pedro Bial. Não tenho nada contra gays, acho que cada um faz da vida o que quer, mas sou contra safadeza ao vivo na TV, seja entre homossexuais ou heterosexuais. O BBB é a realidade em busca do IBOPE...
Veja como Pedro Bial tratou os participantes do BBB. Ele prometeu um “zoológico humano divertido” . Não sei se será divertido, mas parece bem variado na sua mistura de clichês e figuras típicas.
Pergunto-me, por exemplo, como um jornalista, documentarista e escritor como Pedro Bial que, faça-se justiça, cobriu a Queda do Muro de Berlim, se submete a ser apresentador de um programa desse nível. Em um e-mail que recebi há pouco tempo, Bial escreve maravilhosamente bem sobre a perda do humorista Bussunda referindo-se à pena de se morrer tão cedo.
Eu gostaria de perguntar, se ele não pensa que esse programa é a morte da cultura, de valores e princípios, da moral, da ética e da dignidade.
Outro dia, durante o intervalo de uma programação da Globo, um outro repórter acéfalo do BBB disse que, para ganhar o prêmio de um milhão e meio de reais, um Big Brother tem um caminho árduo pela frente, chamando-os de heróis. Caminho árduo? Heróis?
São esses nossos exemplos de heróis?
Caminho árduo para mim é aquele percorrido por milhões de brasileiros: profissionais da saúde, professores da rede pública (aliás, todos os professores), carteiros, lixeiros e tantos outros trabalhadores incansáveis que, diariamente, passam horas exercendo suas funções com dedicação, competência e amor, quase sempre mal remunerados..
Heróis, são milhares de brasileiros que sequer têm um prato de comida por dia e um colchão decente para dormir e conseguem sobreviver a isso, todo santo dia.
Heróis, são crianças e adultos que lutam contra doenças complicadíssimas porque não tiveram chance de ter uma vida mais saudável e digna.
Heróis, são aqueles que, apesar de ganharem um salário mínimo, pagam suas contas, restando apenas dezesseis reais para alimentação, como mostrado em outra reportagem apresentada, meses atrás pela própria Rede Globo.
O Big Brother Brasil não é um programa cultural, nem educativo, não acrescenta informações e conhecimentos intelectuais aos telespectadores, nem aos participantes, e não há qualquer outro estímulo como, por exemplo, o incentivo ao esporte, à música, à criatividade ou ao ensino de conceitos como valor, ética, trabalho e moral.
E ai vem algum psicólogo de vanguarda e me diz que o BBB ajuda a "entender o comportamento humano". Ah, tenha dó!!!
Veja o que está por de tra$$$$$$$$$$$$$$$$ do BBB: José Neumani da Rádio Jovem Pan, fez um cálculo de que se vinte e nove milhões de pessoas ligarem a cada paredão, com o custo da ligação a trinta centavos, a Rede Globo e a Telefônica arrecadam oito milhões e setecentos mil reais. Eu vou repetir: oito milhões e setecentos mil reais a cada paredão.
Já imaginaram quanto poderia ser feito com essa quantia se fosse dedicada a programas de inclusão social: moradia, alimentação, ensino e saúde de muitos brasileiros?
(Poderiam ser feitas mais de 520 casas populares; ou comprar mais de 5.000 computadores!)
Essas palavras não são de revolta ou protesto, mas de vergonha e indignação, por ver tamanha aberração ter milhões de telespectadores.
Em vez de assistir ao BBB, que tal ler um livro, um poema de Mário Quintana ou de Neruda ou qualquer outra coisa..., ir ao cinema..., estudar... , ouvir boa música..., cuidar das flores e jardins... , telefonar para um amigo... , visitar os avós... , pescar..., brincar com as crianças... , namorar... ou simplesmente dormir.
Assistir ao BBB é ajudar a Globo a ganhar rios de dinheiro e destruir o que ainda resta dos valores sobre os quais foi construída nossa sociedade.
Recebi o texto abaixo por e-mail e não posso deixar de publicar aqui.
É de Luíz Fernando Veríssimo, um escritor que admiro muito, sobre o lamentável reality show da Rede Globo de Televisão.
Para reflexão!
BIG BROTHER BRASIL
Luiz FernandoVeríssimo
Que me perdoem os ávidos telespectadores do Big Brother Brasil (BBB), produzido e organizado pela nossa distinta Rede Globo, mas conseguimos chegar ao fundo do poço...A décima primeira (está indo longe!) edição do BBB é uma síntese do que há de pior na TV brasileira. Chega a ser difícil,... encontrar as palavras adequadas para qualificar tamanho atentado à nossa modesta inteligência.
Dizem que em Roma, um dos maiores impérios que o mundo conheceu, teve seu fim marcado pela depravação dos valores morais do seu povo, principalmente pela banalização do sexo. O BBB é a pura e suprema banalização do sexo. Impossível assistir, ver este programa ao lado dos filhos.
Gays, lésbicas, heteros... todos, na mesma casa, a casa dos “heróis”, como são chamados por Pedro Bial. Não tenho nada contra gays, acho que cada um faz da vida o que quer, mas sou contra safadeza ao vivo na TV, seja entre homossexuais ou heterosexuais. O BBB é a realidade em busca do IBOPE...
Veja como Pedro Bial tratou os participantes do BBB. Ele prometeu um “zoológico humano divertido” . Não sei se será divertido, mas parece bem variado na sua mistura de clichês e figuras típicas.
Pergunto-me, por exemplo, como um jornalista, documentarista e escritor como Pedro Bial que, faça-se justiça, cobriu a Queda do Muro de Berlim, se submete a ser apresentador de um programa desse nível. Em um e-mail que recebi há pouco tempo, Bial escreve maravilhosamente bem sobre a perda do humorista Bussunda referindo-se à pena de se morrer tão cedo.
Eu gostaria de perguntar, se ele não pensa que esse programa é a morte da cultura, de valores e princípios, da moral, da ética e da dignidade.
Outro dia, durante o intervalo de uma programação da Globo, um outro repórter acéfalo do BBB disse que, para ganhar o prêmio de um milhão e meio de reais, um Big Brother tem um caminho árduo pela frente, chamando-os de heróis. Caminho árduo? Heróis?
São esses nossos exemplos de heróis?
Caminho árduo para mim é aquele percorrido por milhões de brasileiros: profissionais da saúde, professores da rede pública (aliás, todos os professores), carteiros, lixeiros e tantos outros trabalhadores incansáveis que, diariamente, passam horas exercendo suas funções com dedicação, competência e amor, quase sempre mal remunerados..
Heróis, são milhares de brasileiros que sequer têm um prato de comida por dia e um colchão decente para dormir e conseguem sobreviver a isso, todo santo dia.
Heróis, são crianças e adultos que lutam contra doenças complicadíssimas porque não tiveram chance de ter uma vida mais saudável e digna.
Heróis, são aqueles que, apesar de ganharem um salário mínimo, pagam suas contas, restando apenas dezesseis reais para alimentação, como mostrado em outra reportagem apresentada, meses atrás pela própria Rede Globo.
O Big Brother Brasil não é um programa cultural, nem educativo, não acrescenta informações e conhecimentos intelectuais aos telespectadores, nem aos participantes, e não há qualquer outro estímulo como, por exemplo, o incentivo ao esporte, à música, à criatividade ou ao ensino de conceitos como valor, ética, trabalho e moral.
E ai vem algum psicólogo de vanguarda e me diz que o BBB ajuda a "entender o comportamento humano". Ah, tenha dó!!!
Veja o que está por de tra$$$$$$$$$$$$$$$$ do BBB: José Neumani da Rádio Jovem Pan, fez um cálculo de que se vinte e nove milhões de pessoas ligarem a cada paredão, com o custo da ligação a trinta centavos, a Rede Globo e a Telefônica arrecadam oito milhões e setecentos mil reais. Eu vou repetir: oito milhões e setecentos mil reais a cada paredão.
Já imaginaram quanto poderia ser feito com essa quantia se fosse dedicada a programas de inclusão social: moradia, alimentação, ensino e saúde de muitos brasileiros?
(Poderiam ser feitas mais de 520 casas populares; ou comprar mais de 5.000 computadores!)
Essas palavras não são de revolta ou protesto, mas de vergonha e indignação, por ver tamanha aberração ter milhões de telespectadores.
Em vez de assistir ao BBB, que tal ler um livro, um poema de Mário Quintana ou de Neruda ou qualquer outra coisa..., ir ao cinema..., estudar... , ouvir boa música..., cuidar das flores e jardins... , telefonar para um amigo... , visitar os avós... , pescar..., brincar com as crianças... , namorar... ou simplesmente dormir.
Assistir ao BBB é ajudar a Globo a ganhar rios de dinheiro e destruir o que ainda resta dos valores sobre os quais foi construída nossa sociedade.
terça-feira, 25 de janeiro de 2011
Onde tem bruxa tem fada...
Realmente 2011 parece ser um ano cheio de potencialidades!
Na proposta de deixar aqui registrados dicas, comentários e trechos de obras literárias das quais gosto muito, retomei a leitura de uma das que eu considero mais geniais.
Presente de uma grande amiga, Onde tem bruxa tem fada..., de Bartolomeu Campos Queirós, é uma obra cheia de magia, encantamento, técnica e reflexão. Uma maneira leve e encantadora de nos chamar de volta à essência humana...
Reler essa narrativa fantástica me faz, em primeiro lugar, ver as doçuras da infância e as belezas e os privilégios de ser humano. De outro, ter mais certeza que essa expressão artística, assim como o sonho e a alegria devem ser nutridos e disseminados para que não deixeimos que os vícios superem as virtudes humanas.
História singela de uma fadinha, a Maria do Céu, que resolveu voltar à terra para cumprir sua "profissão"- realizar desejos, mas que ao chegar aqui teve uma decepção: as magias e as esperanças criadas pelo mundo adulto haviam feito desaparecer do coração das crianças as fadas.
Com uma linguagem simples, encantadora e envolvente, a obra é uma massagem na alma.
PARA ONDE VAI O MUNDO SEM IMAGINAÇÃO NEM FANTASIA?
Agora vou dormir tranquila, sabendo que Maria do Céu depositou no meu coração a alegria de menino... e que ela vai estar sempre ali para quando eu precisar!
Na proposta de deixar aqui registrados dicas, comentários e trechos de obras literárias das quais gosto muito, retomei a leitura de uma das que eu considero mais geniais.
Presente de uma grande amiga, Onde tem bruxa tem fada..., de Bartolomeu Campos Queirós, é uma obra cheia de magia, encantamento, técnica e reflexão. Uma maneira leve e encantadora de nos chamar de volta à essência humana...
Reler essa narrativa fantástica me faz, em primeiro lugar, ver as doçuras da infância e as belezas e os privilégios de ser humano. De outro, ter mais certeza que essa expressão artística, assim como o sonho e a alegria devem ser nutridos e disseminados para que não deixeimos que os vícios superem as virtudes humanas.
História singela de uma fadinha, a Maria do Céu, que resolveu voltar à terra para cumprir sua "profissão"- realizar desejos, mas que ao chegar aqui teve uma decepção: as magias e as esperanças criadas pelo mundo adulto haviam feito desaparecer do coração das crianças as fadas.
Com uma linguagem simples, encantadora e envolvente, a obra é uma massagem na alma.
Maria do Céu escorregou pelo brilho da Lua até a Terra.
Maria do Céu, agora fada sem trabalho na Terra, passeando pelas calçadas, pensava em coisas simples de fazer: sorvete de sonho, algodão-doce de nuvem...
Alegria ninguém sequestra. Eu durmo tranquila e sem guarda para vigiar a minha casa. Alegria só aumenta e nem precisa depositar. Ela rende juros no coração.
Peçam luz de luar com gosto de suspiro para que se tenha sonho doce.
A alegria é também uma maneira de menino organizar o coração.
PARA ONDE VAI O MUNDO SEM IMAGINAÇÃO NEM FANTASIA?
Agora vou dormir tranquila, sabendo que Maria do Céu depositou no meu coração a alegria de menino... e que ela vai estar sempre ali para quando eu precisar!
terça-feira, 18 de janeiro de 2011
(RE) Aquecendo os motores
Chega a hora de recomeçar...
O ano novo chegou, passaram as festas e o momento de descanso. E, nossas metas, impostas por nós mesmos, nos instigam a retornar.
Inauguro o ano de 2011 no Partilha retomando sua essência: ser uma forma de vazão à minha necessidade e, ao mesmo tempo, prazer em compartilhar.. sonhos, questionamentos, alegrias ou descobertas.
Lembro também do compromisso feito no final do ano passado. Que esse blog possa ser ainda mais do que ele foi em 2010, ano de sua idealização e início de construção.
Sendo assim, decidi dedicar aqui um espaço especial para uma das minhas maiores paixões e motivações: a literatura, especialmente aquela dedicada às crianças, sejam elas grandes ou pequenas.
Quero poder, por meio do Partilha, levar aos que me seguem a fantasia que encontro nos livros...
Então, para retomar e recomeçar, publico hoje um texto escrito por mim ainda na faculdade, como fruto de minha experiência (curta, porém intensa, engradecedora e gratificante) com a docência de literatura com crianças e jovens de 11 a 15 anos.
Ele fala de modo simples e poético, mesmo se fundamentando em grandes nomes do estudo e crítica da literatura, como vejo e lido com essa expressão artística.
Depois disso, irei dar dicas, comentar, postar trechos das obras que me permitem ser mais gente.
Bom retorno!!!
Literatura: janelas para/do mundo
(Ana Carolina Ferreira Francisco)
O que é a literatura?
Pergunta simples e comum com resposta complexa, a qual muitos se arriscam dar: professores de literatura, críticos, escritores, pensadores etc. Tem definições relacionadas à arte, à cultura como erudição, à expressão humana, à forma de conhecimento, entre outras, mas todas elas nos levam a pensar nessa arte como “janelas para e do mundo”.
Esse texto não tem grandes pretensões ao tratar da definição da literatura, mas irá apresentá-la na metáfora de janela, uma vez que, por meio desse objeto, podemos enxergar o mundo de várias maneiras, partindo do particular para o universal.
De acordo com Yunes (1984) a literatura tem uma relação com o real, mas ela “expande a existência existencial pela linguagem simbólica, e pela catarse retórica, envolve o leitor de modo a fazê-lo perceber, criticamente a partir do texto, o contexto em que está inserido, facultando-lhe visões de mundo originais” (YUNES, 1984, p.132). Desse fragmento é interessante destacar a possibilidade que a literatura concede ao leitor de ter visões de mundo originais. Isso significa que, sendo a literatura uma leitura, versão ou discurso da realidade, permite ao leitor entender, compreender, ler e criticar a realidade em que está inserido por um outro discurso, o ficcional.
Para Candido (1972), a literatura tem três funções: satisfazer a necessidade universal (isto é, do ser humano em qualquer tempo e espaço) de fantasia; contribuir para a formação da personalidade e também de conhecer o mundo e o ser. Essa última na medida em que “trazendo livremente em si o que chamamos de bem e o que chamamos de mal, humaniza em sentido profundo, porque faz viver” (CANDIDO, 1972, p.806). Nesse sentido, percebemos que a literatura, ao falar do real de modo subjetivo e tratar de temas universais, se transforma em uma janela, pois media a relação homem e mundo por meio da linguagem artística, expressão humana do mundo.
(...)Assim, poderíamos dizer ser a literatura um simples retrato do real com intenção de instruir? Não, pois é arte, e, assim sendo, é expressão humana e humanizadora, um discurso sobre a realidade, tendo um olhar subjetivo de quem escreve e, consequentemente, de quem lê. A literatura tem, portanto, função formadora, do sujeito uma vez que “... exprime o homem e depois atua na própria formação do homem” (CANDIDO, 1972, p. 804).
(...)Da janela da leitura literária se descortina o mundo ao leitor, que experiencia um novo olhar sobre aquilo que de lá da janela passa: a vida, pois, de acordo com Yunes (1984), a arte é uma alternativa de conhecimento do mundo.
(...) Finalizando, a literatura é janela do e para o mundo. Por essa larga e mágica janela suprimos nossa necessidade da fantasia, formamos nossa personalidade e conhecemos – re-conhecemos, interpretamos, criamos – o ser e o mundo.
Referências Bibliográficas(para quem quiser ir além)
CANDIDO, Antonio. A literatura e a formação do homem. In: Ciência e Cultura. 24(9). Setembro, 1972, p.803-9.
YUNES, Eliana. Literatura e Educação: a formação do sujeito. In: KHÉDE, Sonia Salomão (org.). Os contrapontos da Literatura: arte, ciência e filosofia. Petrópolis: Vozes, 1984.
BETTELHEIM, Bruno. Introdução: a luta pelo significado. A psicanálise dos contos de fadas. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1986.
O ano novo chegou, passaram as festas e o momento de descanso. E, nossas metas, impostas por nós mesmos, nos instigam a retornar.
Inauguro o ano de 2011 no Partilha retomando sua essência: ser uma forma de vazão à minha necessidade e, ao mesmo tempo, prazer em compartilhar.. sonhos, questionamentos, alegrias ou descobertas.
Lembro também do compromisso feito no final do ano passado. Que esse blog possa ser ainda mais do que ele foi em 2010, ano de sua idealização e início de construção.
Sendo assim, decidi dedicar aqui um espaço especial para uma das minhas maiores paixões e motivações: a literatura, especialmente aquela dedicada às crianças, sejam elas grandes ou pequenas.
Quero poder, por meio do Partilha, levar aos que me seguem a fantasia que encontro nos livros...
Então, para retomar e recomeçar, publico hoje um texto escrito por mim ainda na faculdade, como fruto de minha experiência (curta, porém intensa, engradecedora e gratificante) com a docência de literatura com crianças e jovens de 11 a 15 anos.
Ele fala de modo simples e poético, mesmo se fundamentando em grandes nomes do estudo e crítica da literatura, como vejo e lido com essa expressão artística.
Depois disso, irei dar dicas, comentar, postar trechos das obras que me permitem ser mais gente.
Bom retorno!!!
Literatura: janelas para/do mundo
(Ana Carolina Ferreira Francisco)
O que é a literatura?
Pergunta simples e comum com resposta complexa, a qual muitos se arriscam dar: professores de literatura, críticos, escritores, pensadores etc. Tem definições relacionadas à arte, à cultura como erudição, à expressão humana, à forma de conhecimento, entre outras, mas todas elas nos levam a pensar nessa arte como “janelas para e do mundo”.
Esse texto não tem grandes pretensões ao tratar da definição da literatura, mas irá apresentá-la na metáfora de janela, uma vez que, por meio desse objeto, podemos enxergar o mundo de várias maneiras, partindo do particular para o universal.
De acordo com Yunes (1984) a literatura tem uma relação com o real, mas ela “expande a existência existencial pela linguagem simbólica, e pela catarse retórica, envolve o leitor de modo a fazê-lo perceber, criticamente a partir do texto, o contexto em que está inserido, facultando-lhe visões de mundo originais” (YUNES, 1984, p.132). Desse fragmento é interessante destacar a possibilidade que a literatura concede ao leitor de ter visões de mundo originais. Isso significa que, sendo a literatura uma leitura, versão ou discurso da realidade, permite ao leitor entender, compreender, ler e criticar a realidade em que está inserido por um outro discurso, o ficcional.
Para Candido (1972), a literatura tem três funções: satisfazer a necessidade universal (isto é, do ser humano em qualquer tempo e espaço) de fantasia; contribuir para a formação da personalidade e também de conhecer o mundo e o ser. Essa última na medida em que “trazendo livremente em si o que chamamos de bem e o que chamamos de mal, humaniza em sentido profundo, porque faz viver” (CANDIDO, 1972, p.806). Nesse sentido, percebemos que a literatura, ao falar do real de modo subjetivo e tratar de temas universais, se transforma em uma janela, pois media a relação homem e mundo por meio da linguagem artística, expressão humana do mundo.
(...)Assim, poderíamos dizer ser a literatura um simples retrato do real com intenção de instruir? Não, pois é arte, e, assim sendo, é expressão humana e humanizadora, um discurso sobre a realidade, tendo um olhar subjetivo de quem escreve e, consequentemente, de quem lê. A literatura tem, portanto, função formadora, do sujeito uma vez que “... exprime o homem e depois atua na própria formação do homem” (CANDIDO, 1972, p. 804).
(...)Da janela da leitura literária se descortina o mundo ao leitor, que experiencia um novo olhar sobre aquilo que de lá da janela passa: a vida, pois, de acordo com Yunes (1984), a arte é uma alternativa de conhecimento do mundo.
(...) Finalizando, a literatura é janela do e para o mundo. Por essa larga e mágica janela suprimos nossa necessidade da fantasia, formamos nossa personalidade e conhecemos – re-conhecemos, interpretamos, criamos – o ser e o mundo.
Referências Bibliográficas(para quem quiser ir além)
CANDIDO, Antonio. A literatura e a formação do homem. In: Ciência e Cultura. 24(9). Setembro, 1972, p.803-9.
YUNES, Eliana. Literatura e Educação: a formação do sujeito. In: KHÉDE, Sonia Salomão (org.). Os contrapontos da Literatura: arte, ciência e filosofia. Petrópolis: Vozes, 1984.
BETTELHEIM, Bruno. Introdução: a luta pelo significado. A psicanálise dos contos de fadas. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1986.
terça-feira, 28 de dezembro de 2010
CONCLUSÃO
Chega o fim do ano.
Momento em que muitas e intensas emoções se misturam... é a hora de ficar junto com a família, reconhecer os verdadeiros amigos, agradecer a Deus por tudo e pedir pelo ano que virá. Mas o mais forte de tudo isso é o chamado "balanço".
As lojas, as escolas, as instituições.. todos fecham o ano fazendo seu balanço. E nós, mesmo que sem planejar, também fazemos o nosso.
O meu, nesse ano, é curto, simples e profundo:
Quando maiores são as provações, maior é nossa capacidade de superar, se tivermos fé, esperança, valores e princípios,alegria e... amigos!
E que venha 2011!!!!
Feliz ano novo a todos os seguidores do Partilha. E que em 2011 possamos todos, inclusive o blog, ser mais.
Momento em que muitas e intensas emoções se misturam... é a hora de ficar junto com a família, reconhecer os verdadeiros amigos, agradecer a Deus por tudo e pedir pelo ano que virá. Mas o mais forte de tudo isso é o chamado "balanço".
As lojas, as escolas, as instituições.. todos fecham o ano fazendo seu balanço. E nós, mesmo que sem planejar, também fazemos o nosso.
O meu, nesse ano, é curto, simples e profundo:
Quando maiores são as provações, maior é nossa capacidade de superar, se tivermos fé, esperança, valores e princípios,alegria e... amigos!
E que venha 2011!!!!
Feliz ano novo a todos os seguidores do Partilha. E que em 2011 possamos todos, inclusive o blog, ser mais.
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